Na tarde da segunda-feira, 17 de novembro, o Auditório da Universidade do Estado do Pará (UEPA) – Campus Igarapé-Açu – sediou um evento de grande relevância para a região: o Simpósio Amazônia e COP 30, uma iniciativa voltada à reflexão sobre o papel dos municípios amazônicos no enfrentamento das mudanças climáticas.
A atividade reuniu especialistas, pesquisadores, estudantes, gestores e membros da comunidade local interessados em compreender melhor os impactos climáticos na Amazônia e as estratégias necessárias para fortalecer políticas públicas ambientais.
A escolha do Pará como sede oficial da COP 30, um dos maiores e mais importantes encontros globais sobre clima, fez com que o estado e seus municípios assumissem um papel de destaque nas discussões ambientais. Nesse contexto, eventos como este realizado em Igarapé-Açu nos fazem perceber a relevância de descentralizar o debate e permitir que diferentes comunidades amazônicas tenham voz, contribuam com percepções locais e participem ativamente da construção de soluções para o futuro da região.
Um encontro para adquirir conhecimentos e favorecer a troca de experiências
O Simpósio trouxe ao município a presença da Profa. Dra. Irene Carniatto, pesquisadora e Pós-doutora em Educação, Doutora em Ciências Florestais, coordenadora da Câmara Temática de Educação Ambiental Climática do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e integrante da delegação brasileira de negociadores da COP 30.
A conferencista compartilhou análises essenciais sobre o avanço das mudanças climáticas, o papel da Amazônia nas discussões ambientais internacionais e os desafios que precisam ser levados em consideração ao construir políticas públicas sustentáveis.
Segundo a pesquisadora, “a COP está a todo vapor”, tanto em Belém quanto em Igarapé-Açu, movimentando esforços para que o estado esteja preparado para o protagonismo global na agenda do clima. Sua fala destacou que o discurso da prevenção, predominante em décadas anteriores, já não basta diante da velocidade dos impactos climáticos. Agora, torna-se indispensável discutir adaptação, buscando formas de como cidades, populações e governos devem se preparar para conviver com um cenário ambiental em transformação.
COP 30: a importância histórica deste evento para o Pará e a Amazônia
A palestrante explicou ao público o significado da COP 30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, ressaltando seu papel estratégico nas decisões internacionais sobre o clima.
A realização do evento em Belém, cidade situada na região Amazônica, aproxima as discussões ambientais das populações que vivenciam diariamente os efeitos das mudanças climáticas, tornando o momento histórico para o Pará e seus municípios.
Para a Dra. Irene, o maior legado da COP 30 deve ser a transformação do comportamento ambiental da sociedade. Ela reforça que “o acordo que queremos ver refletido no fim da COP precisa estar presente nas atitudes diárias de cada cidadão”.
Justiça Climática e os impactos desiguais das mudanças ambientais
Durante sua palestra, a conferencista destacou a urgência de discutir justiça climática, lembrando que os efeitos das mudanças ambientais não atingem todas as pessoas da mesma forma. Crianças, idosos e grupos em maior vulnerabilidade social estão entre os mais impactados, transformando a pauta do clima em uma questão de direitos humanos, além de social e econômica.
Entre os eixos abordados estiveram:
- impactos desiguais das mudanças climáticas
- garantia dos direitos humanos
- aspectos sociais e econômicos relacionados ao clima
- responsabilidade compartilhada entre governos e sociedade
A pesquisadora salientou que enfrentar a crise climática exige ações concretas e contínuas, não apenas discursos, reforçando que “quem é, não precisa se mostrar”.
Participação cidadã e políticas essenciais para adaptação climática
Outro ponto central da discussão foi o papel da população e das instituições públicas na construção de soluções ambientais.
A respeito disso, Dra. Irene destacou a importância de:
- pesquisas qualitativas que identifiquem as realidades locais
- investimentos em saneamento básico
- manejo adequado de resíduos recicláveis
- fortalecimento das políticas de saúde pública
Esses elementos são decisivos para que os municípios amazônicos avancem de forma efetiva em suas estratégias de adaptação climática.
Ação “Cuidar é Prevenir”: apresentação dos resultados das ações no município
Encerrando o evento, o servidor Eliton Janio Araújo Ferreira apresentou os avanços da ação “Cuidar é Prevenir”, destacando os positivos impactos dessa Ação de incentivo e proteção ao cuidado ambiental no município.
Segundo ele, mais de 30 toneladas de resíduos já foram recolhidas apenas no primeiro semestre de 2025, demonstrando a importância do engajamento da população e das campanhas educativas desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA).
Importante participação de Igarapé-Açu no cenário das estratégias de proteção do meio ambiente
A realização do Simpósio Amazônia e COP 30 em Igarapé-Açu contribui para nossa compreensão a respeito da importância dessa integração de vários municípios à agenda climática global.
A participação da comunidade, aliada ao diálogo entre pesquisadores, gestores públicos e instituições de ensino, demonstra que a construção de um futuro mais sustentável passa necessariamente pela educação, pela conscientização e pela implementação de políticas ambientais consistentes.
Em um momento histórico em que o Pará recebe os olhares do mundo com a realização da COP 30, Igarapé-Açu demonstra seu interesse na defesa da Amazônia, com a busca por soluções que protejam o meio ambiente e promovam qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.
Crédito das informações: Laira Gabriel (DECOM); Fotos: Renan Henrique (DECOM)

